Jean Blanchaert, Galerista

Fundação Giorgio Cini

Veneza Italia

Um pouquinho da minha trajetória

Descendente de italianos, vindos da Região do Vêneto, nasci em Curitiba, numa família de muitos talentos.

O avô Silvio Sessegolo me fascinava não apenas pelos cabelos brancos e olhos de um azul intenso, mas pelo mobiliário que ele produziu. Em sua simplicidade, via-se como um marceneiro. Mas ele era mais, muito mais do que um artífice da madeira. Acho que bem lá no fundo ele sabia disso. Em cada peça, sempre em local de difícil visualização, ele deixou a sua assinatura datada.

Uma das avós pintava e a outra, criava e produzia vestidos de noiva. Minha mãe desenhava, era arte educadora e soube estimular todas as minhas fases criativas. Tive uma infância cercada por livros, papéis, tecidos, linhas, tesoura, cola e tintas.

Aos 11 anos, fiz o primeiro curso de fotografia em preto e branco.  Foi um curso de férias no Centro de Criatividade, onde dentre vários princípios, Jack Pires ensinou que não se pode fotografar contra a luz. Mas uma cena chamou a minha atenção e fotografei uma árvore cortada por feixes de luz do sol. Nas nuances entre o preto e o branco eu percebia o espectro. A imagem foi impressa na Gazeta do Povo, um importante jornal da época.

Várias lições aprendidas e a mais importante e que faz parte do meu processo criativo: a pesquisa. Sempre testei o limite das teorias para extrair algo diferente.

No colégio jesuíta, a cola passou a fazer parte das provas em que os conteúdos não despertavam tanto interesse. Das aulas de filosofia do Rudi Rabuske, veio a visão crítica.

O tempo foi passando e chegou o vestibular. Apostilas de exatas deixadas de lado e toda a concentração nas aulas do Ivens Fontoura. Era preciso aprender a enxergar para desenhar. Desenvolvi a percepção.

Na escola de Design, finalmente o paraíso minha jornada acadêmica. Os ensinamentos do Toshiuki Sawada foram aprimorando a estética e a composição. A Semiótica passou a ser uma paixão, ampliando a leitura do verbal e não verbal.

Na escola de Marketing, adquiri outras ferramentas e a coisa só evoluía.

Mais tarde, com Soraia Savaris, foi de tocar a terra e extrair formas tridimensionais do barro. Mexer com fogo e os elementos essenciais, numa experiência ancestral aos primórdios da expressão artística. Ainda na cerâmica, Risolete Bendlin me fez perceber que para dominar o barro no torno de oleiro é preciso antes de mais nada, estar em equilíbrio.

Finalmente cheguei no vidro. Material de menor plasticidade do que a cerâmica, mas com uma enorme capacidade de transformação a ser explorada. Loire Nissen passou os conceitos da arte da transformação. Fizemos alguns belos projetos juntas.

Passei alguns anos pesquisando o material e novas maneiras de explorá-lo. Para mim o vidro deixava de ter uma superfície lisa e homogênea. Surgiram furos, aberturas e fendas que passaram a ser característica, linguagem. O vazio está ali e faz parte da obra. Está ali para ser notado, muito mais do que o vidro que o contém, despertando uma série de análises paradoxais em torno do onipresente vazio.

Algumas de minhas obras passaram pelo pelo Museu Alfredo Andersen, Casa João Turin e Museo del Vidrio de Bogotá, tendo participado de diversos salões de design e arte contemporânea pelo mundo, conquistando Veneza e o coração de Jean Blanchaert em 2018.

Como que fechando uma história, aquela menina que apontou a máquina fotográfica contra a luz, explora essa mesma luz que agora atravessa o vidro colorido e vazios que projetam no chão imagens inusitadas, criando composições inspiradoras e belas que remetem ao vitral, sem ser exatamente.

Vamos ver onde isso vai chegar.

"O jogo que esta designer estabelece em suas peças, entre o fluido (anterior, quente) e o rígido (atual, frio), o cheio e o vazio, parece indicar que os furos são de fato o trabalho e o cheio apenas a maneira de contê-los. Nada mais contemporâneo."

 

Maria Letícia Rauen Vianna

Doutora em Artes

USP

Sorbone

Un po’ della mia storia

Discendente da famiglia italiana, sono nata a Curitiba - Brasile in una famiglia di artisti.

Il nonno Silvio Sessegolo mi affascinava non solo per i suoi capelli bianchi e i suoi occhi azzurro intenso, ma soprattutto per la grande  passione che traspariva dai mobili che lui produceva. Nella sua semplicita’, si considerava un falegname.

Ma lui era molto di piu’ che un artigiano del legno, penso che in fondo lo sapesse.

Una delle mie nonne dipingeva e l’altra creava e produceva vestiti da sposa.  Mia madre disegnava, era un’ insegnante di storia dell’arte , e’ stata lei a scoprire e stimolare tutta la mia creativita’. Ho trascorso la mia infanzia circondata da libri, carte, tessuti, forbici, colla e colori.

A 11 anni ho seguito il mio primo corso di fotografia in bianco  e nero. Fu un corso estivo svolto al Centro della Creativita’, durante il quale oltre alle basi fondamentali, Jack Pires tenne una lezione in cui spiego’ perche’ non si puo’ fotografare contro luce.

 

Durante una cena fui attratta e fotografai un albero i cui rami erano attraversati dai raggi del sole. Nelle le sfumature tra il bianco e il nero ho potuto vederne lo spettro.  L ‘ immagine fu pubblicata nella Gazzetta di Povo, un importante giornale dell’ epoca.

La maggior parte e piu’ importanti  nozioni che fanno parte del mio processo creativo provengono da una mia personale ricerca. Ho sempre testato i limiti della teoria per estrarne qualcosa di differente.

Nel collegio gesuita, in cui entrai a far parte come insegnante, le  lezioni attrassero molto interesse. Dalle lezioni di filosofia di Rudi Rabuskr, e’ arrivata la visione critica.

Seguendo una lezione  del professore Ivens Fontoura, mi sono appassionata all arte del designe. E’ stato necessario imparare ad osservare prima di riuscire a disegnare. Ho sviluppato, cosi’, la percezione.

Alla School of Design, ho finalmente trovato il mio percorso accademico. Grazie agli insegnamenti del professor Toshiuko Sawada migliorai la mia capacita’ estetica e di composizione. La Semiotica divenne una mia passione, ampliando la mia capacita’ di lettura di parole verbali e non verbali.

Piu’ tardi, con Soraia Savaris, iniziai a lavorare una terra dalla quale estrarre forme tridimensionali di argilla.

Lavorare con  il fuoco e gli elementi essenziali, fu un’ esperienza ancestrale e l’ inizio dell’ espressione artistica. Ancora  nella lavorazione della ceramica, Risolete Bendlin, mi fece capire quanto fosse importante prima di tutto, per dominare l' argilla nel torchio da vasaio, stare in equilibrio.

Dopo tutte queste esperienze ho deciso di iniziare a esplorare l affascinante mondo della lavorazione del vetro. Un materiale di minore plasticita’ della ceramica, ma con una enorme capacita’ di trasformazione da esplorare. Fu Loire Nissen a trasferirmi il concetto di trasformazione. 

Ho passato diversi anni a studiare il vetro e a cercare nuove tecniche per lavorarlo. Per me il vetro smette di avere  una superfice liscia ed omogenea.  Buchi, aperture e fessure diventeranno la principale caratteristica e il linguaggio delle mie opere. Anche il vuoto diventa parte integrante delle mie opere. Sta li per essere notato molto piu’ del vetro che lo contiene, stimolando una serie di analisi paradossali attorno al vuoto onnipresente.

Alcune delle mie opere sono state esposte nel Museo Alfredo Andersen, Casa Joao Turin e Museo del Vetro di Bogotà, ho partecipato a diverse mostre di design e arte contemporanea nel mondo, conquistando Venezia e il cuore di Jean Blanchaert nel 2018.

 

Come se si chiudesse il cerchio di una storia nata da quella ragazza che puntava l obiettivo contro la luce, esplora quella stessa luce che attraversa il vetro colorato e i vuoti che proiettano immagini insolite sul pavimento, creando composizioni ispirantrici e belle che ricordano mosaici ma non esattamente.

Vediamo dove da dove arriva tutto cio’.

“Il gioco che questa designer stabilisce nei suoi pezzi, tra il fluido (in un primo momento a caldo) e il rigido (successivamente a freddo), pieno e vuoto, sembra indicare che i fori siano parte integrante del lavoro.

Niente di piu’ contemporaneo”.

Maria Letícia Rauen Vianna

Dottoressa in Arte

USP

Sorbone